As necessidades de uma criança autista: como entendê-las?

Uma criança com autismo apresenta muitas dificuldades em expressar como sente, pensa e costumeiramente não consegue dizer ou mostrar com exatidão onde dói, o que gostaria de comer ou de brincar e tampouco se tem ou não predileção por algo ou por alguma coisa que o interesse mais. Muitos pais chegam perdidos no consultório, frustrados com as confusões e sentindo-se mal por não poderem suprir necessidades básicas de seu filho porque não entendem e não conseguem se comunicar. No convívio familiar, esta situação gera angustia e pode desestruturar o ambiente seriamente!

Assim, desvendar quais as necessidades desta criança pode ser decisivo para compreender o que fazer e rapidamente reverter mal entendidos. Elas podem chorar, gritar, agredir, jogar-se no chão ou até se automutilar em situações onde não consegue se expressar, fazer-se entendida ou em momentos em que tem que parar de fazer o que gosta para se engajar em regras e rotinas pré-estabelecidas pela família ou pela escola. Outra causa para reações intempestivas podem ser oriundas de medo ou fobia de determinados contextos, de estímulos visuais, auditivos, táteis ou gustativos que repudia ou tem hipersensibilidade.

Por isto, o primeiro passo é: conhecer a criança. Saber de suas preferências e fraquezas para se antecipar e evitar conflitos na comunicação. Segundo: conhecer e conversar com a família da criança a qual conhece bem os meandros de seu comportamento e pode contribuir com informações significativas e preparar a forma com que a escola, por exemplo, deve responder ou agir. Terceiro: levar sempre brinquedos, objetos ou utensílios que são prazerosos para a criança pois, em caso de qualquer instabilidade, apresentá-los pode acalmá-la e desviar sua atenção.

Muitas crianças com autismo falam, outras não. As que falam podem simplesmente indicar o que querem, apontar ou dizer repetidamente o que desejam. Outras, que não falam, vão precisar de apoio por meio da disponibilidade dos pais para se colocarem para serem levados pela criança até o local do que querem ou podem se utilizar de figuras que expressam ações para que a criança mostre. Algumas crianças com autismo não sabem usar nem tampouco pedir para usar o banheiro e pode ser necessário que os pais a levem no local para que ela consiga demonstrar o que gostaria fazer.

Quando há piora ou intensidade maior de comportamentos negativos pela criança, como mais irritabilidade ou agressividade, sem uma explicação óbvia ou evidente da causa, deve-se sempre suspeitar de 3 coisas:

1) presença de alguma dor (de dente, no abdômen, de ouvido);

2) mudança no ambiente ou na dinâmica de sua vida ou de sua família (pintar um quarto, mudar uma rotina, volta às aulas, uma pessoa nova ou diferente veio morar em casa, escola nova, pai e/ou mãe foram viajar);

3) possibilidade de bullying e/ou maus tratos (abuso psicológico, violência física/sexual) onde vive ou frequenta com regularidade.

Os profissionais e os pais devem sempre vigiar e estarem bem atentos a estas possibilidades as quais são as mais comuns e devem sempre ser suspeitadas por estes ou pelos avaliadores clínicos quando se depararem com estas queixas e iniciarem processos de investigação.

Estas dicas são valiosas e podem ajudar a encurtar o caminho no sentido de resolver mais rapidamente o sofrimento da criança e o desespero de quem com ela convive e cuida.

    • Gostaria de saber , porque que não é falado da importância da musicoterapia para pessoas com TEA. Sendo que já foi constatado a importância da Música e da Musicoterapia no desenvolvimento para estes pacientes.

  • Estou focando as minhas pesquisas e investigações sobre o autismo para entender e dar o melhor para as nossas crianças.
    Percebo que cada caso tem a sua especificidade e a partir do conhecimento é possível trabalhar as necessidades, promovendo aprendizagem.
    Sinto-me gratificada com os textos disponibilizados por vocês Lu,pois é uma oportunidade de avanço.
    Axé
    Lini

  • Uma das características mais marcantes é a capacidade da criança com autismo ser professora nata e essa habilidade deve ser moldada a seu favor do aprendizado e aperfeiçoar para ser uma liderança futuro na sua vida. Compreender esse público se faz necessário.

  • Sou pai de um bebê autista com dois anos e tenho muitas dúvidas. Por exemplo:
    1. a intervenção medicamentosa pode ser um fator crucial para que o bebê comece a falar?
    2. é recomendado colocar o bebê numa escola mesmo que ele não consiga se comunicar?
    3. é preferível uma escolha tradicional ou uma para crianças de necessidades especiais?

  • Boa noite, tenho um neto com autismo, tem 3 anos, ainda não fala, começou a tomar medicamento, está em escolinha normal, mas não tem um bom relacionamento com a professora, ela acha que ele não tem limites, como posso ajuda lo? Queria ajuda lo a melhorar as atividades na escolinha, está indo na fono.

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