Autismo: Da dificuldade no contato visual à habilidade de montar brinquedos

O contato visual no autismo é uma das principais características a serem notadas por pais e pelas demais pessoas que convivem com a criança. Logo na primeira infância é possível observar esse aspecto. As mães, principalmente, podem notar esse sinal no momento em que alimentam seus filhos.

A hora de mamar é o momento mais íntimo entre mãe e filho. É a oportunidade em que a comunicação se dá pelo toque da mãozinha na mão da daquela pessoa que fornece o alimento e, também, pelo olhar.

Mas e quando o bebê não estabelece esse contato com você? É possível classificar tal atitude como autismo? O que fazer? Por que isso acontece? Meu filho não olha para as pessoas, mas monta quebra-cabeças e outros brinquedos com muita facilidade, isso é normal?

Bom, essas perguntas vivem tirando o sono das mamães de plantão e não é por acaso; afinal, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é algo sério e que precisa de acompanhamento. As duas situações reproduzidas no parágrafo anterior, embora não tenham relações estritamente diretas, são sinais frequentes em muitos casos de TEA. O contato visual no autismo e a habilidade de montar brinquedos são os focos deste artigo.

Por que as pessoas com autismo não olham nos olhos do interlocutor?

Primeiramente, é preciso deixar claro que essa atitude não está ligada a nenhum sentimento de menosprezo do pequeno, do jovem ou do adulto que convive com o TEA. A situação é mais complexa que parece e já existem estudos que comprovam.

Há alguns relatos que afirmam que o desvio do olhar por parte da pessoa que vive com autismo pode ser notado até mesmo quando o indivíduo vê o seu reflexo no espelho. Sim, isso mesmo. Há crianças que resistem até mesmo ao ato de encarar a própria imagem.

Os estudos constataram que tal comportamento é a forma que eles encontram para reduzir uma excitação excessiva, responsável por causar desconforto. Isso acontece porque quando os pequenos olham diretamente nos olhos de seu interlocutor, o cérebro passa a receber uma maior ativação de partes específicas de sua estrutura, como o sistema cerebral subcortical. Importante salientar que isso pode gerar estresse e agitação nos pequenos.

Há possibilidade de trabalhar o contato visual no autismo?

Sim, mas é preciso cautela. Cada criança precisa de intervenções que sejam adequadas para ela. Sendo assim, antes de pensar no que poderia ser bom para o pequeno, não deixe de consultar especialistas que podem dar as orientações necessárias. Os terapeutas, então, estabelecem o tratamento ideal para a demanda do paciente.

Importante reforçar que o pequeno com autismo nunca deve ser forçado a estabelecer contato visual, pois quanto mais ele for obrigado a tal comportamento, mais agitado pode ficar. Procure sempre um médico.

As crianças não estabelecem contato visual, mas montam brinquedos facilmente

Eis aí outra característica notada por pais e mães de pequenos diagnosticados com autismo. Se por um lado eles encontram dificuldades para estabelecer esse contato; por outro a situação é bem diferente.

Isso também é explicado por pesquisadores. Acontece o seguinte: ao montar um quebra-cabeça, por exemplo, as crianças que convivem com TEA não se prendem tanto no sentido a ser representado por cada peça do brinquedo. Para elas, reproduzir o que está posto ali não é tão importante do que seguir uma lógica de linhas, cores e formas das peças para colocar tudo de acordo com sua concepção.

Por conta disso, eles são tão ágeis para montar um quebra-cabeça ou um brinquedo grande que contenha várias peças. No entanto, vale lembrar que embora muitas pessoas com autismo demonstrem essa habilidade, essa ‘facilidade’ não ocorre com todo mundo. Entretanto, pode haver outros talentos a serem observados nessas crianças e jovens. Mais uma vez a conversa com o terapeuta é bastante necessária.

 

 

Dr Clay Brites

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