Autismo Sinais Precoces

Alerta: No Autismo Sinais Precoces podem fazer a diferença no futuro das pessoas com TEA

 

Uma criança neurotípica adora fixar seus olhos nos olhos dos adultos logo nos primeiros 15 dias de vida e este ato se consolida até completar um mês. Nos primeiros três meses, ela inicia o balbucio, movimento de boca com emissão de sons tentando imitar e responder aos estímulos de seu cuidador. O colo de seus pais é aprazível e desejado a cada momento. A criança pede, chora, procura a presença de alguém quando deixada no berço ou carrinho de mão por muito tempo. Numa criança com Autismo (TEA) estes comportamentos podem não existir nos primeiros meses e é fundamental a conscientização para que a cultura da observação passe a estar presente nos pais e nos profissionais de saúde e educação que acompanham o desenvolvimento das crianças nos consultórios, nas escolas e nas creches.

“Doutor, ele não olhava para mim durante o aleitamento e eu achava muito estranho… Com meu outro filho, não era assim”. Com esta afirmação, esta jovem mãe, atestando por comparação, via que seu filho tinha algo estranho e não condizente com o que era normalmente esperado. “Via que ele era muito quieto, bonzinho, ficava horas acordado no berço sem chorar. Parecia não se importar. Ao pegar no colo, chorava muito e parecia estar tendo alguma dor. Ao levar no pediatra, este afirmava que era cólica e que logo passaria mas nunca passou…” E é isto mesmo. Esta mãe constatava que algo não estava bem na interação com seu filho e seu pediatra simplesmente interpretou-o como algo fisiológico sem se atentar em observar melhor o comportamento.

A ausência destes sinais: a fixação ocular, o balbucio, a busca pelo colo e a procura pelo cuidador nos primeiros três meses de vida são muitas vezes os primeiros alertas do espectro autista rondando o desenvolvimento da criança. A identificação dos mesmos só é possível se os profissionais de saúde e educação conhecerem profundamente o desenvolvimento infantil normal e terem como rotina o exame neurológico minucioso na fase da puericultura. Da mesma forma que temos o teste do pezinho, da orelhinha, do olhinho e do coraçãozinho devemos nos habituar a exigir o “teste neurotípico” o qual não depende de aparelho mas sim de conhecimento clínico-observacional. Este “teste” auxilia também para identificar outros transtornos de desenvolvimento, encefalopatias perinatais, síndromes, doenças metabólicas neonatais e deficiências sensoriais. Em todos estes casos, quanto mais cedo, melhor!

No Autismo Sinais Precoces podem variar, por isso a avaliação tem que ser interdisciplinar

 

 

autismo sinais diagnóstico
Autismo Sinais Precoces podem variar

 

Em muitos outros casos, pode acontecer o contrário: crianças irritadiças e extremamente chorosas ao serem colocadas para dormir. Noites sem sono por meses assolam seus pais e a criança. Ora trocam a noite pelo dia ora passam a dormir em fragmentos durante as eternas horas noturnas. A instabilidade do sono é quase uma constante nas queixas dos pais desde os primeiros anos e devem ser sempre valorizados.

Nos primeiros dois a três anos de vida, é muito importante observar como se faz a interação social da criança com seus pares ao seu redor. No Autismo Sinais Precoces como atitudes como imitação, percepção do outro no brincar, permissão para compartilhar e flexibilizar atividades lúdicas de acordo com a demanda de seus amiguinhos e solicitar a atenção dos pais com gestos sociais (risos, piscadinhas, acenos, esticar os braços, etc.) são comumente aprendidas e expressadas pelas crianças mas muitas vezes ausentes ou discrepantes nos autistas. Em espaços públicos como creches, aniversários, casamentos e parquinhos é inevitável compará-la com outras crianças e constatar que “aquela” criança é diferente “daquela” e que suas atitudes e formas de interação social são estranhas ou ausentes… O mesmo se evidencia na observação do uso social de sua fala e na elaboração de sua linguagem as quais não correspondem aos outros e muitas vezes, sem ênfase e sem continuidade, se perde no espaço das brincadeiras, distantes ao seu interesse.

 

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Mesmo em fase tão inicial, podemos ver no autismo sinais precoces como as perseverações e preferências difíceis de serem cessadas ou modificadas pelas circunstâncias. Estas se revelam na alimentação, nas atividades com os brinquedos, durante o uso do banheiro, na hora de dormir, em festas e reuniões de família onde aparecem por vezes objetos para os quais tem real obsessão. Deixam qualquer novidade para se voltarem ao de sempre. Perdem oportunidades para intensificarem a prática das mesmas coisas. O que fica evidente é uma seletividade excessiva que a prejudica e deteriora seu convívio com seus pais e parentes, constrange, inibe a busca pelo compartilhamento e, não raro, faz com sua família evite sair de casa.

Na investigação da possibilidade desta criança apresentar TEA é importante averiguar a história familiar de condições neuropsiquiátricas ou de transtornos de desenvolvimento. Outros fatores de risco envolvidas para o maior aparecimento de crianças com TEA são idade materna avançada na gestação (fenômeno cada vez mais comum e recorrente em nossos dias ) e nascimento de baixo peso e/ou prematuridade. O uso de drogas lícitas ou ilícitas na gravidez também podem contribuir e é mister que os futuros pais se absteiam destas em caso de optarem por uma gestação. Ainda não é consenso na literatura internacional a associação de TEA com : alimentos ricos em glúten, lactose, conservantes; vacinas; venenos aplicados na agricultura; intoxicação ambiental por mercúrio e poluição. Em relação às vacinas, a respeitável revista The Lancet se retratou e se desculpou em 2010 por ter publicado uma pesquisa equivocada, em 1998, onde relacionava autismo com vacinas dadas dos 6 aos 9 meses. Nesta retratação, ela definitivamente descarta a relação destas com o aparecimento de sintomas autísticos por não haver evidências suficientes de causa-efeito. Outra pesquisa ampla (CHARGE Study) onde se acompanhou sistematicamente 400 crianças entre 2 e 5 anos descartou a relação do autismo com contaminação por mercúrio.

 

É importante o atendimento multidisciplinar
É importante o atendimento multidisciplinar

As causas do aparecimento do Autismo nas crianças, está hoje bem documentado como uma condição causada por fatores neurobiológicos, genéticos, com perfil de alto grau de herdabilidade em 80-90% dos casos. Evidências mostram que o cérebro destas crianças apresentam uma desorganização das colunas de neurônios que formam a arquitetura cerebral em várias áreas, especialmente as do lobo frontal, e também um volume cerebral acima do esperado para idade por prováveis atrasos ou interrupção das podas neuronais essenciais à neuroplasticidade programada a cada momento sensível de salto no desenvolvimento adaptativo. Mesmo assim, existem estudos que mostram uma forte associação com outras causas ambientais como pré-eclâmpsia severa6 e intercorrências da prematuridade.

Existem atualmente várias escalas e checklists que orientam e organizam formas de observação deste comportamento na população pediátrica em geral. Estas escalas podem ser utilizadas em creches, clínicas, escolas e podem ser aplicadas por cuidadores, professores, médicos em geral e profissionais que tratam ou convivem constantemente com crianças e adolescentes. Algumas delas: CHAT, M-CHAT, ADOS, ADI-R, CARS, etc.

 

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