Birra x Crise no TEA: como diferenciar?

É extremamente comum que haja uma determinada associação e até mesmo uma confusão entre a birra e a crise, sobretudo quando o assunto é o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ambas as situações costumam ser usadas para o mesmo caso, mas é preciso esclarecer que isso não é correto. Existem diferenças pontuais que especifica esses quadros.

O que é birra?

A birra pode ser definida como um comportamento originado de algum descontentamento, geralmente acompanhado de choros, gritos e outras atitudes.  Ela é intencional e é usada estrategicamente para que a criança, no caso, consiga algo que fora negada a ela. Assim que o pequeno recebe o que ele desejava, a birra acaba.

O que é crise (no autismo)?

No caso do TEA, as crises são mais frequentes quando a pessoa (seja ela criança ou adulta) está exposta a vários estímulos sensoriais e não sabe como lidar com tanta informação. Diferentemente da birra, a crise não é proposital e muito menos uma estratégia para se conseguir algo; mas a resposta de um limite que fora extrapolado; de uma irritação extrema.

Birra e crise: um detalhe crucial

Durante o desenvolvimento de um indivíduo, é absolutamente normal que ele abandone as birras. Não é usual presenciarmos adultos comportando-se dessa maneira como na fase infantil.

As crises incluídas no TEA não ficam restritas na infância apenas. Elas podem acompanhar a pessoa por toda a sua vida, tendo em vista que a irritação causada em seu aspecto sensorial continuará.

No entanto, é possível tratar essa condição por meio de intervenções aplicadas por uma equipe multidisciplinar. É aconselhável que o tratamento comece ainda na infância para que os episódios sejam diminuídos gradativamente.

Outras diferenças entre a birra e a crise

– A birra geralmente é direcionada a um grupo de pessoas ou um adulto. A intenção do pequeno é chamar a atenção para uma demanda não atendida prontamente por seus pais ou demais responsáveis, alguma frustração, etc. Normalmente, tem um objeto envolvido: brinquedo, peça de roupa, comida, DVD, objetos em geral.

– A crise no autismo pode acontecer até mesmo quando a criança estiver sozinha em seu quarto ou em algum outro local, independentemente se houver mais pessoas por perto ou não. Lembre-se: ela não quer chamar atenção para nada, é uma forma de expressar algo que ela não consegue lidar, exemplo: quando sua sensibilidade é exposta a estímulos sonoros, olfativos, toque, etc.

Estratégias para acabar/evitar a birra e as crises

As birras podem ser controladas quando os adultos adotam estratégias que visam ao controle desse comportamento: fingem que não estão vendo, levam a criança para um local isolado ou simplesmente atendem as suas reivindicações (lembrando que esta última não é muito indicada, pois pode acostumá-la muito mal; deixá-la mimada).

As crises no autismo precisam de outras maneiras para ser controladas. Primeiramente, jamais grite com a criança. O aconselhável é que ela seja levada para longe dos estímulos que motivaram essa situação. Depois disso, tente entender o que causou a crise.

Importante ressaltar que os episódios de crise devem ser relatados ao médico com riqueza de detalhes. Somente dessa maneira o especialista pode direcionar as técnicas que melhor combinam com o caso apresentado. Além de contar com a ajuda de profissionais de áreas distintas para o devido tratamento.

 

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Fontes consultadas:

https://autismawarenesscentre.com/what-is-the-difference-between-a-tantrum-and-an-autistic-meltdown/

https://www.understood.org/en/learning-attention-issues/child-learning-disabilities/sensory-processing-issues/the-difference-between-tantrums-and-sensory-meltdowns

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