Brincadeiras de estimulação sensorial

Você já parou para pensar quais são as brincadeiras sensoriais utilizadas em crianças com autismo? Além disso, você sabe quais são os pontos benéficos que essas atividades trazem? Bom, o artigo de hoje abordará este tema tão caro para o bem-estar dos nossos pequenos.

Brincar é um dos atos mais importantes na vida de toda criança. As brincadeiras ajudam os pequenos a desenvolverem uma série de habilidades imprescindíveis para sua evolução, são elas: cognitiva, individual, social, simbólica.

Para a criança que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), essas brincadeiras sensoriais agem dentro daquilo que ela mais precisa treinar, como ajudar a interagir socialmente, a criar mecanismos de comunicação e reduzir comportamentos repetitivos. E não é isso que almejamos para os pequenos? Então, por isso que a abordagem desse assunto é indispensável para muitos pais, mães e demais responsáveis.

Toda brincadeira é válida?

Não. Embora o ato de brincar seja terapêutico, devemos ter em mente que nem toda brincadeira exerce o seu papel. Existem crianças com autismo que aceitam determinados materiais e brincadeiras e outras que não. É preciso ter muito cuidado quando elegemos um conjunto de brinquedos ou atividades para esses pequenos.

A brincadeira reduz a ansiedade?

Sim. Reduz bastante a ansiedade porque a brincadeira leva o pequeno a treinar habilidades que valorizam o contato social. Isso auxilia na diminuição dessa característica e a criança passa a obter uma experiência de contato com o próximo de forma mais tranquila.

A criança com autismo quando vai brincar não tem muita noção de tempo, não costuma ter ideia do que virá depois. Ela sempre chega à brincadeira sem saber o que vai ser feito, quais os passos serão dados. Então, ela fica ansiosa, pode ficar insegura. Isso significa que ela pode não tolerar certas brincadeiras sociais (principalmente quando tem muita criança envolvida).

O que é importante observar na hora de escolher a brincadeira para os pequenos?

Primeiramente, é preciso ter em mente que as crianças com autismo costumam ter distúrbios sensoriais. Elas têm hipersensibilidade auditiva, tátil; hipersensibilidade a determinadas texturas; sensações de aperto; a determinados tons de fala, entre outras situações.

Os pais devem tomar cuidado com o que escolhe para o filho, pois um brinquedo muito barulhento, por exemplo, pode deixar a criança mais agitada e estimular ainda mais a sensibilidade da criança.

Jogos digitais são brincadeiras sensoriais interessantes? Sim, mas eles não impulsionam tanto a interação com o ambiente como outras atividades. Por isso que o objetivo hoje é falar sobre objetos e brincadeiras que colocam a criança com autismo no centro de uma relação social com o meio em que ela está e com outras pessoas.

Outro exemplo de objetos que não devem ser usados é brinquedo que emita algum som que o pequeno não goste. Lembre-se, é importante que a criança se sinta atraída pela brincadeira. Portanto, pensar nesses detalhes é extremamente sério para o seu desenvolvimento.

Caixa de materiais

Uma dica valiosa é que pais e profissionais tenham sempre em casa e no consultório uma caixa de materiais que contenha brinquedos de texturas, símbolos gráficos e tamanhos diferentes. Assim, a criança pode escolher aquilo que dá mais liberdade a ela para escolher os objetos que de seu gosto.

Jogos compartilhados

É importante que os jogos para crianças com autismo precisem ter participação social para que haja continuidade em outras situações. Essas brincadeiras ajudam no desenvolvimento social do pequeno. É essencial que os pequenos tenham esse contato.

Quebra-cabeças e outros objetos que ajudam

O uso de quebra-cabeças, cartas de cores e materiais de encaixe auxilia a criança a estimular sua consciência de emoções faciais, coordenação motora fina; estimula a identificação de faces e aumenta a sensibilidade proprioceptiva.

Estes brinquedos são constituídos de formas e detalhes que levam a criança a cumprir etapas e objetivos bem definidos, o que ajuda muito a criança com autismo a cumprir tarefas até o fim. Jogos constituídos de cheiros, paladares, texturas e sons também podem ser úteis na medida em que podem avaliar a aptidão da criança pelos diversos estímulos sensoriais e desenvolver outras aptidões por novos estímulos.

Brincadeiras simples que estimulam a interação

Existem brincadeiras sensoriais que são simples e ajudam no contato da criança com outras pessoas. Todo mundo pode entrar na brincadeira e isso auxilia demais os pequenos que convivem com o TEA. Veja algumas dicas abaixo:

– Bolhas de sabão;

– Massinhas;

– Pinturas;

– Desenhos com giz de cera;

– Esconde-esconde.

Só é preciso reiterar a necessidade cujos pais e responsáveis devem ter para saber qual o distúrbio sensorial que pode atrapalhar a criança. Vencida essa etapa, a brincadeira pode ser feita com muita alegria.

Hipossensibilidade: um detalhe que deve ser levado em conta

Vale repetir uma informação que já veiculamos em artigos anteriores. É o seguinte: uma condição que também podemos citar aqui é a hipossensibilidade. Isto acontece quando a pessoa tem a sensibilidade de forma muito mais amena, levando algumas vezes a nem sentir aquilo que seu sistema sensorial poderia permitir: cheiro, som, etc.

Pesquisas apontam que a hipossensibilidade pode ser a hipersensibilidade ao extremo, uma vez que essa condição causaria um bloqueio total de algumas sensações.

O que não pode ser feito?

No entanto, importante lembrar que é absolutamente errado tentar eliminar essas características da criança com autismo. Qualquer atitude de diminuir tais sensibilidades ou ignorá-las pode aumentar o estresse do pequeno ou e do adulto autista também.

Nós, do Entendendo Autismo, sempre salientamos aqui que o tratamento com uma equipe multidisciplinar é a melhor maneira de promover uma intervenção que desenvolva a qualidade de vida do autista.

Tratamento

A intervenção com especialistas médicos e não médicos é a melhor alternativa que pais e mães podem escolher. A diversidade dessa equipe pode contribuir para o desenvolvimento de inúmeros pontos na vida da criança e melhorar a convivência de todos.

 

 

 

Dr Clay Brites

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