Brinquedos para estimular crianças com Autismo

A abordagem de crianças com Autismo deve sempre ser interdisciplinar e, as evidências científicas têm mostrado que os recursos terapêuticos envolvem estratégias psicossociais comportamentais para modulação de comportamentos inadequados e intervenções desenvolvimentais para corrigir atrasos e estimular habilidades ainda não adquiridas.

Neste sentido, o uso de materiais e brinquedos específicos pode ser fundamental para trabalhar crianças com autismo, tanto nos ambientes estruturados dos consultórios de especialistas quanto em suas casas, onde podem ser utilizados pelos seus pais ou cuidadores para auxiliar na melhora dos sinais, dos sintomas principais do transtorno e suavizar comorbidades. Servem também para melhorar distúrbios sensoriais, reduzir determinadas fobias e ansiedades, proporcionar o desenvolvimento de habilidades de forma mais prazerosa, motivadora e adequar determinados estímulos de acordo com as preferências da criança.

Muitas crianças com autismo podem ficar muito estressadas e assumir posturas defensivas como uma forma de auto-proteção em situações sociais normais, as quais são imprevisíveis e, ao mesmo tempo, exigem algumas expectativas que podem ser frustradas. Alguns sons, cheiros, paladares, texturas, luzes desconfortáveis podem levar esta criança a ficar em extremo alerta e desconforto. Vivem em estado de medo permanente e, por isto, os brinquedos devem ser prazerosos e específicos caso-a-caso para prevenir seu repúdio.

Tanto os brinquedos como os jogos devem ser antes experimentados espontaneamente pela criança, observando se ela gostou ou não e se realmente vai permanecer com ele por um tempo. Para isto, pode-se oferecer em uma caixa vários brinquedos calmos e de perfil pedagógico e esperar a criança escolher. Deve-se começar e terminar as brincadeiras com os mesmos sons, luzes e também com as mesmas sequências e obstáculos, antes de introduzir variações. Deve-se também mostrar como a atividade lúdica vai terminar, quanto tempo ela vai durar e quais as etapas regulares, para não gerar grande ansiedade.

As brincadeiras devem ser intercaladas de momentos calmos e reconfortantes, como envolver a criança num cobertor, brincar de múmia colocando bandagens nos braços e pernas, pôr puffs nos ombros e uso de animais de pelúcia, fazer massagens nas extremidades, movimentos de vai-e-volta e balançar.

Deve-se colocar à disposição brinquedos que tenham sequência e que podem ser conduzidos de forma compartilhada com outra criança, os chamados brinquedos sociais ou compartilhados. Naturalmente, crianças com autismo sempre vão preferir ficar isolados e como queremos que eles desenvolvam a socialização, temos que disponibilizar momentos e contextos que o estimulem, por sua boa vontade, a brincar com o outro. Estas atividades compartilhadas somente funcionam ou se completam quando há a participação de outra criança no processo do brincar. Estimula o compartilhamento e a socialização de atividades lúdicas. Mas, antes, deve-se iniciar brincando do jeito que aprecia, fazendo alinhamentos ou categorizando, para depois ir permitindo a interferência dos outros.

O uso de brincadeiras envolvendo água pode ser muito útil. Os materiais podem ser colocados em pequenas piscinas, aprofundá-los, ou deixar flutuar, sempre com a supervisão de um adulto. A criança pode descansar na água e deixá-lo sozinho por um tempo.

É importante mostrar para esta criança como o brinquedo funciona ou qual é o significado e a sequência do mesmo. O adulto pode, então, falar assim: “agora é minha vez”. Neste momento, o adulto brinca mostrando para a criança como o brinquedo é e qual sua função, dando a oportunidade de imitar e esperar sua vez – o que para eles é muito difícil. Como eles são aprendizes principalmente visuais, pode-se optar por atividades mais visuais e que utilizam pistas, linhas ou sinais que ajude ela a perceber que agora é a vez do outro ou é sua vez. Ou, ainda, usar bastões, esponjas ou fitas que concretamente indicam mudança de turno ou para indicar que terminou uma sequência.

Enfim, é muito importante usar brinquedos que facilitem a transição de uma atividade para outra estimulando uma percepção por vez. Se visual, só visual. Se auditiva, só auditiva. Se táctil, só táctil. Tudo isto para não sobrecarregar sua hipersensibilidade e acabar irritando-o. Deve-se buscar sempre intensificar contato ocular, melhorar a consciência social e habilidades motoras as quais costumam estar deficitárias em autistas.

O uso do lúdico para intervir diariamente na criança com autismo traz novos recursos e complementa outras abordagens, o que ajudam a melhorar sua comunicação e nível de atenção para novas experiências.

  • Sempre é bom ouvir especialistas no assunto , eles ajudarem de maneira ,facilitando de forma clara e tendo acesso seu tratamento sem demora e sem muitos gastos em clínicas especializadas ,já deve está na lei , o direito do autista , e na prática também ação , ajudem os pais como também psicologicamente como na prática também é necessário, vocês profissionais sabem disto

      • Na minha prática clínica fonoaudiológica com crianças com TEA, em Aracaju-SE, outra estratégia muito boa é o momento de conto e reconto de histórias infantis, que proporciona a exploração da imaginação, compreensão e pragmática.

  • Este conteúdo diz um pouco do trabalho do TERAPEUTA OCUPACIONAL com crianças autistas, utilizando o modelo lúdico e estratégias sensoriais.
    Creio ser importante correlacionar as práticas mencionadas ao trabalho do T.O., visto que este profissional é imprescindível na abordagem multidisciplinar.

  • Como é bom poder contar com pessoas que entendem do assunto e estão sempre prontos a ajudar e compartilhar seus conhecimentos com outras pessoas. Muito obrigada pelas informações, são sempre muito preciosas e nos ajudam a fazer um trabalho cada vez melhor e mais eficaz.

  • Boa Noite,
    Muito bom conhecer esses brinquedos, gostaria de participar sempre sobre as novidades.
    Obrigada, abraços,
    Carmem

    • Ola carmem! voce pode acompanhar os artigos, aulas no site , e no canal da Neurosaber no Youtube.Tambem no “Entendendo Autismo” nas neurolives de domingo às 21h, Estas aulas ficam gravadas no youtube.Inscreva-se pelo canal da neurosaber no facebook. Abraços

  • Muito bom gostei muito do artigo, mas as vezes fico meio perdida nessas leituras pois acho sempre que quando indicam essas atividades me parecem para TEA grave mas meu filho é TEA leve se comunica bem é sociável brinca com outras crianças e às vezes quer ficar sozinho e se irrita com barulho mas só às vezes…

    • Ola Vivian! estes artigos dão sugestoes para se trabalhar com TEA e pela singularidade de cada um temos que ir adaptando conforme cada necessidade. Abraços

  • Boa noite,
    Agradeço por este material, pois vem agregar valor ao trabalho que desenvolvemos com alunos do AEE, na Sala de Recursos. Obrigada!!

  • Meu filho faz 4 anos hoje, não sei o que dar pra ele pois ele não se interessa por nada
    Alguém pode Me ajuda
    Sou separado é fico com ele de cada 15 dia fico só o domingo

    • Miguel alguma coisa chamará sua atenção, mas para darmos uma sugestão teriamos que ter contato com ele. Por isso peça a opinião de quem fica mais tempo com ele que ajudará muito nessa escolha. Abraços

  • Excelente artigo e dicas de material. Tenho acompanhado quase todas as palestra,
    vídeos e artigos, e entre outros. Todo este conjunto de informatizações ,tem me ajudado bastante no meu trabalho com pessoa com TEA.
    Só tenho a agradecer.
    Sembre que abro o e-mail , vejo logo o que a Lu vem trazendo de novo.
    PARABÉNS.

  • Considero muito importante a presença do brinquedo nas ações educativas, ainda que de forma lúdica, oportuniza aprender no contexto próximo de como as crianças fazem a leitura de mundo, muito bom, espero voltar ao tema.

    • Ola Geruza! com certeza é um tema muito importante a ludicidade. Mas voce terá mais informaçoes nas aulas disponiveis no canal da neurosaber no youtube.

  • Como trabalho com classe hospitalar, tenho todo tipo de crianças. São poucas as crianças com autismo, mas trabalhei muito com cores, tintas com jogos de peça grandes, até os médios a levarem, oi muito bom esse dia..

  • Moro no Estado do Pará e sinto-me extremamente agradecida por essa leituras e vídeos sensacionais que muito contribuem com meu aprendizado e trabalho tbm

  • Foi muito bom ler sobre diferentes estratégiaa para lidar com o autismo . Vejo nas salas de ensino regular autistas com comportamentos inadequados resultado de dinâmicas inadequadaa.

  • Adorei.
    Uma dúvida, como utilizar com um pre adolescente de 11 anos com suspeita de autismo leve. Sem comprometimento cognitivo?
    Tenho pesquisado, porem nao encontro mt coisa a respeito,

  • Minha filha tem 13 anos. TEA grave. Eu achei muito legal a dica de usar “brinquedos na transição de uma atividade para outra usando uma percepção por vez.” Obrigada pelos comentários .

  • Muito bom este artigo,com dicas excelentes para que a criança possa se socializar com as outras,O brincar é muito importante na Educação Infantil ,e saber conduzir faz toda a diferença. OBRIGADA

  • Muito bom o artigo!
    É esclarecedor e prático. Podemos observar que precisamos primeiro deixar a criança tocar, ver e explorar, se familiarizar para depois ter intenção de buscar por vontade própria e dar função a atividade.

    Obrigada e que venham mais textos.

  • Muito o bom o artigo. Pensando nisso criei dentro do meu Instituto de Psicologia na Vila Guilherme a loja Brinquedos Terapêuticos especializada em material adaptado e brinquedos sensoriais para crianças TEA. Vou compartilhar seu Artigo em nosso blog e fan page.

  • Boa noite. Muito bom o artigo.Tenho um aluno de três anos autista ,ele ama brincar dentro da casinha de brinquedos que tem dentro da sala na creche. Não se incomoda de que outras crianças brinquem lá dentro com ele,Gosta muito dos blocos lógicos,encaixa um nos outros,
    Estou aprendendo com vocês a reconhecer e diferenciar os tipos de autismo. Continuo na observação.
    Muito grata estou.
    Maria das Graças

    • Parabens Maria das Graças! a informação é o meio mais eficaz para desenvolvermos bem nosso trabalho.Obrigada

  • Toda ajuda é bem vinda, existem algumas dificuldades que podem ser superadas quando buscamos ajuda e orientação com profissionais capacitados. Muito obrigada por estes materiais valiosos que vocês tem socializado conosco.

  • Gostei desse texto é bem objetivo e nos ajuda a pensar nas possibilidades. Vou compartilhar no grupo de professores e auxiliares para que possamos planejar situações didáticasemelhantes significativas.
    VALEU!

  • Olá bom dia, meu filho tem 13 anos é surdo(implantado) e autista é muito inteligente para o q lhe interessa como jogos eletrônicos computadores e outros similares. O meu grande desafio é alfabetiza-lo não se interessa por letras , mas isso não o impede de baixar, instalar e jogar qualquer jogo por mais complicado que seja. Já pedi orientação para vários especialistas mas ateh agora continuo com a minha luta. Por favor você tem como me orientar. Esclareço que nos comunicamos por fala, libras, expressão, não temos problemas de comunicação, mas sim, na compreensão do que se lê(contextualização) das palavras no abstrato.Peço desculpas se fui confusa,sinto isso, mas não sei como explicar melhor.Obrigada,

    • Eva ! compreendo a sua preocupação mas a abstração para o autista é uma dificuldade, isso deve ser desenvolvido aos poucos com a sua ajuda e por um especialista que juntos acharão o melhor caminho.

  • Muito bom este site tem me ajudado muito em minhas dúvidas e me aperfeiçoando cda dia mais. Obrigadoa todos vocês.

  • Obrigada pela texto.
    Vou começar a coloca-lo em prática.Poderiam colocar exemplos de atividades para os pequenos de 02 até seis anos.

    • Dirce ! voce poderá encontrar mais informaçoes nas videos aulas disponiveis no canal da Neurosaber no youtube.

  • Amei!..essas dicas são de fundamental importância para enriquecer o nosso trabalho e ajuda no processo psicoterapêutico e desenvolvimento das crianças…

  • Ótimo artigo… o psicopedagogo se utiliza muito do lúdico no processo de mediação para a organização cognitiva e construção de conceitos .

  • Hiper interessante. Amo tudo que vocês publicam. Tento aos poucos me aprimorar com suas ideias. Parabéns para toda equipe.

  • É gratificante receber esses artigos, nos ajuda enquanto profissional entendermos determinadas particulares das crianças com NEE.

    • Monica obrigada! voce pode acompanhar os artigos, aulas no site , e no canal da Neurosaber no Youtube.Tambem no “Entendendo Autismo” nas neurolives de domingo às 21h, Estas aulas ficam gravadas no youtube.Inscreva-se pelo canal da neurosaber no facebook. Abraços

  • Nós do Método Supera Ginastica para o Cérebro (Franquia de um método educacional para o desenvolvimento das potencialidades do cérebro), trabalhamos assim com as crianças e nossos alunos têm obtido excelentes resultados. Muito oportuno os artigos e as dicas desse maravilhoso site, Lu Brites e Equipe NeuroSaber. Gratidão.

  • Excelente texto, dicas específicas e pontuais! Parabéns, com certeza já repassarei para as famílias e para as escolas! Obrigada!!!

    • Obrigada Adriana! compartilhar conhecimentos é o caminho para podermos ajudar as familias e escolas para um atendimento mais eficaz.Abraços

  • O NÚMERO E AUTISTA VEM AUMENTANDO CONSIDERAVELMENTE OU SEJA ESTAMOS ATUALMENTE CONHECENDO E EM CONTATO COM ESSAS CRIANÇAS E AS ORIENTAÇÕES SÃO IMPORTANTES PARA OS FAMILIARES, ESCOLAS E CUIDADORES,

    • Com certeza Marcia! hoje temos mais acesso a essas orientaços, que ajudam a melhorar o relacionamento na familia, escola e na sociedade.

  • meu filho tem 10 anos, não tem interesse mais por brinquedos, coloquei ele para participar de jogos de futebol em uma escolinha perto de casa, e nem isso ele tem interesse, somente jogos.Passa o tempo todo na frente do computador. O que devo fazer?

    • Marluce! voce deve encontrar algo do interesse dele que compense ele trocar o computador.O dialogo é a melhor escolha para que possa descobrir seus interesses.

  • Lendo seus artigos o quanto me gratifico em te-los para um dia ser trabalhado em alguma instituição ou mesmo como voluntária na cidade onde moro , uma escola que acolhe crianças orfãns e funciona como instituição escolar.

    • Parabens Wania! que voce consiga sim, colocar seu conhecimento a favor daqueles que necessitam tanto.Abraços

  • Muito prazeroso o aprendizado. Meus parabéns a Neuro Saber por nos proporcionar tantos conhecimentos significativos.

  • Trabalho com alunos autistas e este texto veio acrescentar para o desenvolvimento do meu oficioÈ sempre saber mais ,pois trás possibilidades de crescimento profissional

  • Muito bom esse artigo. Traz muitas dicas de como desenvolver o trabalho com autistas. Com certeza irá nos ajudar bastante.

    • Barbara obrigada! voce terá mais informaçoes no site, no canal da neurosaber no youtube e nas neurolives de domingo às 21h.Essas aulas ficam disponiveis no canal da Neurosaber no youtube.

  • Nunca encontrei um material tão rico, e com fácil intendimento. Obrigada por nos proporcionar mais esse aprendizado

    • Maravilhoso o material. Muito bem elaborado. Amei, Gostaria de ter este material, Pois vou trabalhar na Brinquedoteca da APAE, onde trabalho. Ia colaborar muito com o desenvolvimento dos alunos atendidos, principalmente os Autistas. Boa tarde.

  • O pedagogo é especialista em realizar atividades pedagógicas em sala . Essas informações vem enriquecer e muito as precauções que devemos ter ao lidar com os autistas que tem por si só as atividades sensoriais como foco

  • Este texto descreve com bastante propriedade o trabalho desenvolvido na sala de recursos ( escola) e na clínica psicopedagogica. Obrigada!

  • Esse artigo vem somar as experiencias, até mesmo com crianças não autista.Sendo um suporte positivo nas novas experiências liberando os medos de investir em novas ações e confirmando e possível para todas as crianças.Obrigada!.

  • Muito gratificante esse estudo, nos ajuda muito a ter uma compreensão eficaz em relação ao mundo da criança autista. Demostra que é possível sim ter uma convivência prazerosa com responsabilidade.

  • Adorei o texto é muito interessante utilizar os brinquedos com os autistas, pois no atendimento que faço com o TEA alguns demonstram apego por brinquedos que não conseguem largar e muitas vezes uso esses brinquedos para que eles se envolva nas atividades que pretendo realizar.

  • Observei no texto como as sensibilidades devem ser trabalhadas e respeitadas na seleção dos brinquedos para que o objetivo seja atingido. é fundamental para o trabalho efetuado não seja perdido ou não atinja o objetivo. Obrigada pelos esclarecimentos ótimo!

  • MUITO BOM ESTE ARTIGO, MAIS A PROFUNDIDADE DO CONHECIMENTO. GOSTEI MUITO APRIMOROU MUITO NAS IDEIAS DA PRÁTICA DIA A DIA. MUITÍSSIMO OBRIGADA.

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