Como é terapia sensorial em crianças com Autismo?

Um dos sintomas do autismo é a dificuldade em processar informações sensoriais, como texturas, sons, cheiros, gostos, brilho e movimento. Isso pode levar a dificuldades práticas, como ter pouca consciência e controle de seu próprio corpo. 

A integração sensorial é a capacidade de receber, processar e entender vários estímulos sensoriais ao mesmo tempo. A terapia de integração sensorial foi desenvolvida para ajudar as crianças com dificuldades sensoriais. 

Estudos mostram que a terapia sensorial ajuda a aliviar essas dificuldades, melhorando a capacidade de realizar as atividades diárias. É realizada por terapeutas ocupacionais que utilizam atividades lúdicas que visam mudar as reações do cérebro ao toque, som, visão e movimento. 

Entenda como é a terapia sensorial em crianças com autismo, neste artigo.

A disfunção do processamento sensorial 

A disfunção do processamento sensorial é um sintoma do autismo. No DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico dos transtornos mentais), os problemas sensoriais se tornaram parte do TEA — Transtorno do Espectro Autista.

Os problemas sensoriais são descritos como: Hiper ou hipo-reatividade a estímulos sensoriais ou interesses incomuns em aspectos sensoriais do ambiente (por exemplo, aparente indiferença à dor / temperatura, resposta adversa a sons ou texturas específicas, cheiro ou toque excessivo de objetos, fascínio visual por luzes ou movimento).

A disfunção sensorial pode ser incapacitante, pois interfere em muitas atividades da vida diária. A terapia de integração sensorial ajuda as pessoas com autismo a diminuir sua reatividade, fortalecendo a sua capacidade de participar de mais atividades no dia-a-dia.

Disfunção do processamento sensorial no autismo

Muitas pessoas com autismo são hipersensíveis ou pouco sensíveis à luz, ruído e/ou toque. Podem não ser capazes de suportar o som de uma máquina de lavar louça, por exemplo, ou precisar se bater até se machucar para estar plenamente consciente de seu corpo. 

Essas diferenças sensoriais são chamadas de “disfunção do processamento sensorial” e podem ser tratadas com a terapia de integração sensorial.

O processamento sensorial envolve captar informações através de nossos sentidos (toque, movimento, olfato, paladar, visão e audição), organizar e interpretar essas informações e dar uma resposta significativa. Para a maioria das pessoas, esse processo é automático.

As pessoas com autismo, no entanto, não experimentam essas interações da mesma forma. A maneira como interpretam as informações que chegam e as reações emocionais, motoras e outras, é afetada. Algumas crianças com autismo sentem como se estivessem sendo constantemente bombardeadas com informações sensoriais.

Como é a Terapia de Integração Sensorial no autismo

A terapia de integração sensorial é uma forma de terapia ocupacional e envolve atividades sensoriais específicas para ajudar a criança a responder adequadamente à luz, som, toque, cheiros e outras informações. 

A terapia de integração sensorial ajuda as crianças com autismo a gerenciar suas sensibilidades e desejos. Um terapeuta avalia a sua capacidade de integrar informações sensoriais e então desenvolve um programa de tratamento personalizado com várias experiências sensoriais.

Essas experiências terapêuticas são projetadas para fornecer um desafio que está logo acima do nível de capacidade da criança. As intervenções incluem balançar, escovar, jogar bolas e muitas outras atividades sensoriais. Por exemplo, uma criança com pouca consciência de seu corpo no espaço pode ser incentivada a segurar um balanço de trapézio e depois cair em uma piscina de bola.

O resultado dessas atividades pode ser melhor foco e comportamento e até ansiedade reduzida. A terapia integrativa sensorial envolve a supervisão direta de um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta e pode ser muito divertida e desafiadora. Geralmente acontece em uma sala com equipamentos de recreação especialmente projetados (como balanços de trapézio e trampolins).

A aposta da terapia sensorial é que, ao mudar a maneira como as sensações são processadas pelo cérebro, podemos ajudar as crianças com autismo a entender melhor as informações que recebem e a usá-las para facilitar as tarefas diárias.

Pesquisa em Terapia de Integração Sensorial

Vale lembrar que uma avaliação cuidadosa da sensibilidade sensorial da criança deve ser realizada por um profissional capacitado antes de iniciar a terapia integrativa sensorial. Esse profissional vai garantir que a terapia seja personalizada e atenda as demandas daquela criança. Da mesma forma, o terapeuta define objetivos claros para revisá-los regularmente e avaliar os resultados.

Existem muitos estudos que comprovam a eficácia da terapia de integração sensorial em crianças com autismo. Atualmente, a terapia sensorial se tornou uma das intervenções mais solicitadas e utilizadas no TEA.

A terapia de integração sensorial foi desenvolvida para fornecer aos terapeutas ocupacionais um conjunto de diretrizes sobre como fazer uma intervenção consistente. Estudos concluem que a terapia de integração é uma intervenção efetiva para as crianças com autismo, especialmente quando iniciada precocemente, por volta dos quatro anos.

Restou alguma dúvida sobre como é a terapia sensorial em crianças com autismo? Deixe nos comentários.

 

Referências:

https://www.verywellhealth.com/sensory-integration-therapy-and-autism-260509

https://www.autismspeaks.org/science-news/study-finds-sensory-integration-therapy-benefits-children-autism

Dr Clay Brites

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