Como escolher uma escola para seu filho Autista?

A hora de encontrar uma escola para seu filho autista significa estabelecer uma verdadeira peregrinação pela cidade? Vocês não estão sozinhos, pois não são poucos os pais que precisam fazer isso para, finalmente, achar um local que ofereça todas as condições que a criança ou o adolescente com autismo necessita.

Os motivos podem ser os mais variados possíveis: desde a estrutura em si à própria capacitação dos profissionais. Afinal de contas, um aluno autista precisa de um acompanhamento especial para absorver os conteúdos dados em sala de aula. Não adianta, no entanto, colocá-lo lá sem um respaldo dos educadores e sem o devido aproveitamento do pequeno.

Escola regular ou especial?

Geralmente, os pais ficam com muitas dúvidas se a escola regular ou especial é uma boa opção para a educação do filho. O detalhe, porém, é que cada criança autista apresenta uma característica específica. Portanto, não é simples falar se o caso de seu filho é para essa ou aquela escola.

A dica é conversar com os profissionais que atendem a criança ou adolescente para saber se o estudante está apto para encarar a metodologia que a instituição oferece. Há alunos com autismo que se saem muito bem em turmas regulares. Por outro lado, há situações em que os autistas precisam estudar em salas especiais para acompanhar o conteúdo de fato.

E a inclusão do autista na escola?

Não é difícil encontrar instituições em que o suporte para uma criança autista é ineficiente. No Brasil, ainda lutamos para que nossos filhos tenham a inclusão escolar. E, muitas vezes, os profissionais da escola não têm ciência de todas as práticas dessa inclusão, o que dificulta o processo.

Antes de os pais pensarem em desembolsar uma grande quantia para dar conta de todo o aparato que o aluno precisa contratando um profissional à parte, é fundamental lembrar que há leis que resguardam essas famílias. A Inclusão de autistas na escola é um direito que agora é lei (Lei nº 12.764, que institui a “Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista”).

A Lei nº 12.764 faz com que os autistas passem a ser considerados oficialmente pessoas com deficiência, e assim tendo direito a todas as políticas de inclusão do país – entre elas, as de Educação.

Há também outras leis que resguardam de apoio à inclusão escolar do autista (fonte: http://www.autismoevida.org.br):

  • Lei n° 9.394/96, que “Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional”.
  • Lei nº 10.845/04, que “Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras providências”;
  • Lei nº – 13.146/15, que “Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)”;
  • Portaria nº 243/16, que estabelece os critérios para o funcionamento, a avaliação e a supervisão de instituições públicas e privadas que prestam atendimento educacional a alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação;
  • Nota Técnica nº 35/16 – DPEE / SECADI / MEC –, a qual recomenda a adoção imediata dos critérios para o funcionamento, avaliação e supervisão das instituições públicas e privadas comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos especializadas em educação especial.

    A escola promove o saber pedagógico de todos os alunos?

É interessante ressaltar que a escola deve valorizar a habilidade pedagógica dos alunos autistas, mesmo sendo regular. Atividades como a musicoterapia, por exemplo, são completamente estimulantes para a qualidade do ensino por parte do estudante especial. Além disso, existem outras metodologias que incidem sobre o aproveitamento do aluno. Esse detalhe deve ser questionado pelos pais à coordenadoria da escola.

A escola está aberta ao diálogo?

Um ponto importante é saber se a escola promove reuniões constantes com professores, terapeutas e pais para a discussão das metodologias adotadas. Isso é crucial para que a criança esteja em um local que ofereça o suporte ideal para seu percurso escolar.

Sala especial dentro de escola regular: é possível?

Sim, é tanto possível que muitas escolas adotam essa técnica de aproximação. Em locais que utilizam a metodologia, os alunos autistas recebem conteúdos como matemática e alfabetização separadamente dos regulares. No entanto, em atividades que envolvem o saber lúdico, todas elas compartilham o mesmo espaço e a mesma brincadeira.

Vale sempre reiterar que cada caso deve ser analisado com total cautela, pois não cabe generalização dentro do autismo. Então, procure com paciência e escolha a instituição que oferecerá uma grande qualidade ao seu filho ou filha com autismo e tenha ciência dos direitos dessa criança ou adolescente por lei para que possa cobrá-los.

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