Como funciona a Escala de Triagem no Autismo?

 

Toda profissão necessita de técnicas ou instrumentos que sejam capazes de facilitar a identificação da existência de algum elemento, cujo objeto de análise do especialista favoreça o seu estudo. Pelo menos assim deveria funcionar para todos. No entanto, para os neuropediatras isso é uma regra. Eles utilizam a escala de triagem para observar e captar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou simplesmente autismo.

Mas vocês sabem como isso funciona? Bom, eis aí um ponto que precisa ser esclarecido, pois muitas pessoas sabem que os médicos utilizam a escala, mas não fazem ideia sobre a metodologia a ser empregada em suas formas. Então, o artigo de hoje vai relembrar sobre como é o funcionamento dessa importante maneira de se chegar ao diagnóstico do autismo sem erros. Confiram abaixo.

O que é a escala de triagem?

Podemos definir a escala de triagem como o instrumento capaz de auxiliar na detecção de comportamentos atípicos, colaborando no diagnóstico e na percepção de outros sintomas. Tudo isso a partir do 18º mês de vida da criança.

O que essas escalas fazem?

Esses instrumentos procuram buscar de forma ativa tanto os sinais quanto os sintomas incluídos no autismo. Vale sempre relembrar que o TEA é um grave transtorno de desenvolvimento e que causa impacto considerável nas habilidades sociais e comunicativas dos pequenos.

O rastreio dos aspectos sintomáticos é feito de maneira completamente sistemática. A criação de escalas de avaliação no autismo tem se mostrado cada vez mais indispensável. Para se ter uma ideia, elas foram desenvolvidas de forma extensa, nos últimos 20 anos, com base em estudos clínicos sólidos.

Além disso, essas escalas passaram por um processo de submissão a metodologias científicas e lastros estatísticos que tornam esses instrumentos um meio muito seguro para a identificação desses sinais em qualquer população.

Três principais escalas de triagem: M-CHAT, ADOS-2 e ADI-R

O M-CHAT (Modified Checklist Autism in Toddlers) funciona como uma escala de rastreio a partir da população geral. Essa ferramenta permite levantar um determinado risco elevado de autismo por meio da observação de uma criança em um ambiente composto por outras pessoas da mesma faixa etária, por exemplo.

A metodologia do M-CHAT

Essa escala de triagem é composta por 23 itens criados a partir de evidências de sintomas de autismo e de outros sinais comuns que aparecem com o TEA, geralmente vistos durante anos de experiências; e de condução no trato desses possíveis pacientes. Dentre estes itens, 17 não são específicos de TEA. No entanto, tem algo relacionado com o autismo. Por outro lado, existem 6 itens que representam sinais específicos de TEA.

Importante relembrar que essa observação é muito válida, pois permite que as perguntas sejam feitas sem induzir o diagnóstico, uma vez que elas se encontram distribuídas sem uma ordem específica na sequência do questionário.

O próximo passo é observar a criança analisada dentro de uma amostra composta por outras pessoas de idade semelhante. Logo depois, aplica-se as perguntas baseadas nos itens de 1 a 23, incluindo seis itens mais importantes, a saber: 2,7,9,13,14,15.

Pergunta-se sim ou não para cada item. Eis os critérios: se a criança for não para dois itens dos mais importantes ou não para qualquer dos 23, essa criança demonstra risco para o TEA e deve ser encaminhada uma investigação especializada.

As escalas de triagem ADOS-2 e ADI-R

As escalas ADOS-2 e ADI-R são essenciais para mostrar se o pequeno está demonstrando alguma melhora significativa em um eixo de comportamento em detrimento de outro.

É imprescindível dizer que isso dá uma confiabilidade maior para a equipe que está tratando do autismo da criança, além de dar segurança aos pais, sobretudo para que eles possam ver a eficácia dessas escalas na aplicação em seus filhos. Importante relembrar que o ADI-R é uma escala de entrevista. O ADOS-2 por sua vez é uma escala de observação.

 

Dr Clay Brites

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