Como reduzir um comportamento agressivo em autistas?

A imagem de uma pessoa com autismo está sempre relacionada aos surtos e às agressões, correto? Errado. Quem faz este tipo de ligação não conhece, exatamente, o que é um autista. Há muito equívoco em relação a isso por conta de casos específicos que merecem atenção. Posso ter uma criança autista com comportamento agressivo? Sim, pode. No entanto, isso é um detalhe que pode ser trabalhado e reduzido com sucesso. É diferente do que ter uma predisposição à agressão. Precisamos conversar mais sobre o assunto.

Por que ocorre o comportamento agressivo?

Imaginemos uma situação de incômodo: um barulho estridente, uma roupa que pinica a pele ou um cisco no olho. Nós conseguimos reagir de forma que essa situação seja resolvida, seja por conta própria ou pedindo ajuda a alguém. A criança com autismo, não. Ela não sabe como se comportar diante dessa provável irritação. Então ela pode fazer birra, gritar, chorar em voz alta, tapar os ouvidos e até arranhar seu próprio corpo, para citar alguns exemplos.

Se essa condição é solucionável, o que pode ser feito?

A primeira providência é identificar o que causa essa reação no pequeno; o que provoca esse estresse. Importante lembrar que nem sempre a birra tem origem física (incômodo em alguma parte do corpo), mas pode estar ligado à frustração. Eis aí um exercício de observação que você deve desempenhar: saber o que está acontecendo.

Se a criança fica aos cuidados de uma babá ou algum membro da família, por exemplo, peça à pessoa para que faça anotações durante o dia e analise cada comportamento.

Em se tratando de um caso de autismo, é provável que os pais ou responsáveis pelo pequeno tenham acompanhamento de especialistas desde o diagnóstico. Isso é importante porque o médico pode propor intervenções que fazem a diferença.

Quais são as dicas que podem ser aplicadas em casa?

– Crie meios para que a criança consiga se comunicar sobre aquilo que está causando incômodo a ela (seja por meio de gestos ou algum sinal de fácil percepção);

– Tente identificar o momento que antecede o possível estresse: cara fechada, cabeça baixa, musculatura tensa, etc;

– Ensine ao pequeno como externar o momento de incômodo, ou seja, indique as frases que ele pode usar ante uma irritação;

– Explique à criança que esse comportamento (agressivo) não é legal. Então proponha uma parceria com ela, oferecendo alternativas;

– Escolha um local da casa que possa oferecer tranquilidade em momentos de irritação. Muitas vezes esse comportamento é causado por algum barulho excessivo, cheiro, etc. Um lugar mais afastado desses estímulos pode acalmar a criança;

– Nunca obrigue seu filho (ou filha) a nada. É importante que o diálogo seja a regra. Até em situações como tomar banho, por exemplo. Explique a importância de se lavar, leve brinquedos que o pequeno goste para o banheiro e torne o ato rotineiro em um momento lúdico;

– Tenha paciência e entenda que a criança precisa de você. Se faltar calma de sua parte, o pequeno não terá como ficar tranquilo.

– Converse sempre com médicos, outras mães de autistas e torne-se um (a) parceiro (a) de sua criança.

Veja este vídeo sobre agressividade no TEA com o Dr. Clay Brites:

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