Como trabalhar o Método Denver no Autismo?

Uma das maiores dúvidas de pais cujos filhos vivem com autismo é qual o tratamento mais indicado, qual o método mais eficaz. Para responder, podemos dizer que existem maneiras exemplares que visam ao desenvolvimento das crianças. O modelo de intervenção precoce proporciona aos pequenos um aprendizado importante para a relação com o próximo. O método Denver é responsável por isso.

O que é o método Denver?

O modelo foi criado no início dos anos 80 com a intenção de estimular e ensinar aos pacientes o contato social. O método pode ser definido como um mecanismo ou um protocolo de abordagens de cunho mais desenvolvimentista. Além disso, ele serve para intervir nos atrasos manifestados pela criança em função do autismo.

A partir de que idade pode ser aplicado?

Por ser parte de uma intervenção precoce, o método Denver geralmente é usado por especialistas em crianças na faixa dos dois a três anos de idade. O modelo vem trazer alguns princípios fundamentais no trabalho com pequenos que vivem com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O Denver é considerado um dos modelos mais importantes, com maiores evidências e com ampla difusão em especialistas dessa área. Vale dizer que os princípios podem ser usados no dia a dia.

Mas existem outros mecanismos?

Sim, existem outros modelos muito similares, como o Dawson, por exemplo, com princípios do ABA. O método mais atualizado do Denver conta com componentes do ABA acoplados. É um modo de intervenção precoce, intensivo (de 3 a 4 horas por dia).

Pode-se dizer que ele é completo, sendo que a partir de um ano de vida, a criança é trabalhada, com acompanhamento de especialistas, sob cinco eixos que buscam o seu desenvolvimento. São eles:

– O primeiro eixo enfatiza a orientação social (treinar a identificar rostos, expressões faciais, criar mecanismos para que ela compreenda pessoas e saiba identificar indivíduos; seus traços característicos: físico, gestual, facial ou corporal para que essa criança se habitue a direcionar seus interesses para pessoas e não só para objetos específicos. Esse eixo estimula o cérebro a ter a percepção social.

– O segundo eixo, por sua vez, é focado no trabalho cujo direcionamento é feito para a linguagem social e contextual do pequeno, de forma que o paciente cresça com o estímulo à relação social.

– O jogo social enfatiza atividades que ajudam a direcionar suas atitudes, preocupando-se com o outro. Isso ensina a empatia.

– Esse eixo é responsável por trabalhar o jogo simbólico. A criança vai aprender a brincar simbolicamente. Não só brincar com partes dos brinquedos, mas de forma realmente lúdica.

– O último eixo trabalha com a redução de deficiências iniciais motoras, sociais, de linguagem, adaptabilidade, de regras e rotinas.

Em que se baseia?

O método Denver se baseia muito em ajudar a criança naquilo que sabemos sobre aprendizagem cerebral do bebê. O modelo trabalha a aprendizagem emocional e social por meio de práticas e da interação generalizada.

O que mais pode ser feito com base no método Denver?

Colocar essa criança para fazer o que ela gosta. Crianças com autismo têm fascínios por determinados objetos. O segredo é criar formas de estimular atividades que sempre envolva pessoas.

Equipe multidisciplinar

É fato que a intervenção precoce deve ser aplicada e o modelo Denver serve justamente para isso. Um de seus princípios é o envolvimento de uma equipe multidisciplinar. Profissionais da fonoaudiologia, terapia ocupacional, neuropediatria, entre outras, podem trabalhar com esse cinco eixos. Todo esse trabalho valoriza a interação social e a comunicação verbal do pequeno.

Dr Clay Brites

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