Distúrbio do processamento sensorial no TEA

O autismo é responsável por diversos sintomas que estão relacionados ao aspecto comportamental, à interação social e à linguagem. Além disso, outro sintoma muito frequente é o transtorno do processamento sensorial. O detalhe que chama atenção é o fato de muitos casos não serem percebidos justamente pelo fato de as crianças não conseguirem se comunicar de forma clara a ponto de falar o que causa incômodo.

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), tal sintomatologia é caracterizada pelo aumento ou redução da reação à entrada sensorial por algum interesse comum aos aspectos sensoriais do ambiente em questão. Portanto, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa situação é muito comum.

Algumas características de estímulos sensoriais

As respostas a determinados estímulos sensoriais são caracterizadas por uma grande irritação diante da impossibilidade de lidar com essas situações. Existem texturas específicas, sons, cheiros e toque excessivo que são sempre mais perceptíveis no grupo dos sinais do distúrbio do processamento sensorial no TEA. No entanto, é preciso chamar a atenção para um sintoma que requer mais atenção. A criança com autismo e que possivelmente convive com alguma alteração do aspecto tratado pode também ser indiferente ao calor, ao frio e à dor.

Posar e Visconti (2018) afirmam em seu estudo que “quase qualquer canal sensorial pode estar envolvido, no sentido de responsividade reduzida a estímulos ou no sentido de responsividade excessiva a estímulos. Pode haver vários tipos de alterações sensoriais na mesma pessoa durante a vida ou ao mesmo tempo.”

Um dado interessante é que a criança com TEA e que convive com o transtorno do processamento sensorial tende a ter o seu comportamento afetado no seu cotidiano. Para se ter uma ideia, atividades casuais e diárias como alimentar-se, dormir, entre outras, pode ser um problema para os pequenos; principalmente, se o local não oferecer condições que assegurem o bem-estar da criança.

As dificuldades enfrentadas                                                      

Em eventos fora do recinto familiar essa situação não muda e pode ser mais complicada, pois dentro de casa todos sabem que o pequeno enfrenta essas particularidades. Externamente é complexo porque nem todo mundo está ciente que um barulho comum em restaurante (exemplo: tilintar de talheres) pode causar um imenso incômodo.

Além disso, “tais dificuldades geram padrões de respostas sensoriais que incidem negativamente na comunicação e na interação social destes indivíduos, em múltiplos contextos. (MATTOS, 2019)”. O aspecto pedagógico também pode ser influenciado, uma vez que o ambiente da sala de aula, caso seja muito influenciado por ruídos, tende a impactar no desenvolvimento da criança na escola.

Comportamentos

O transtorno do processamento sensorial no TEA é responsável por gerar uma série de comportamentos nos pacientes com autismo, como pode ser visto abaixo:

Aspecto sensorial auditivo: a criança costuma a não atender quando alguém a chama (esse quadro se inclui no que os especialistas chamam de surdez aparente); intolerância a determinados sons, etc.

Aspecto sensorial visual: irritação e alteração de comportamento diante de uma luz muito forte; recusa de algum alimento por conta de sua tonalidade, etc.

Aspecto sensorial olfativo: recusa de alimentos em função de seu cheiro; cheirar determinados objetos, etc.

Aspecto sensorial do paladar: seletividade alimentar em função da resistência a determinada textura, etc.

Aspecto proprioceptivo: ter o costume de andar na ponta dos pés e ser desajeitado para se movimentar.

Tratamentos

Os tratamentos voltados para o transtorno do processamento sensorial no TEA englobam duas diferentes formas de intervenção. São as seguintes:

– Intervenções sensoriais: de aspecto clínico, esse grupo é responsável por utilizar atividades lúdicas e intervenções que adotam o lado que explora os sentidos com o intuito de melhorar as respostas adaptativas.

– Intervenções de integração sensorial: os professores utilizam as chamadas estratégias unissensoriais; elas são feitas em sala de aula com o intuito de influenciar o estado de excitação da criança e “que pode ser clinicamente manifestado como comportamentos de inquietação, hiperatividade e autoestimulantes.” (POSAR & VISCONTI, 2018).

O tratamento é a melhor maneira de promover uma melhor qualidade de vida aos pacientes. No entanto, vale salientar que a intervenção deve partir de uma equipe multidisciplinar, responsável por estabelecer técnicas que trabalhem com assertividade a questão do transtorno do processamento sensorial.

 

Referências

MATTOS, Jaci Carnicelli. Alterações sensoriais no transtorno do espectro autista (TEA): implicações no desenvolvimento e na aprendizagem. Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia, v. 36, 2019.

POSAR, Annio; VISCONTI, Paola. Alterações sensoriais em crianças com transtorno do espectro do autismo. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, v. 94, n. 4, jul./ago. 2018.

Dr Clay Brites

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