Efeitos da hiperatividade no autismo

Vocês, leitores, já sabem que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta várias camadas (por isso o espectro) em que torna impossível a comparação de um indivíduo com o outro. Cada um apresenta uma determinada característica. Dentre essas variações, destaca-se a hiperatividade no autismo. Por conta dessa situação, muitos pais e profissionais da educação passam por momentos delicados com as crianças que manifestam esse comportamento, pois há momentos em que os adultos não sabem como lidar. Para sanar essas dúvidas, vejam o que o temos reservado para o artigo de hoje.

Hiperatividade no autismo: cuidados que precisam ser tomados

É importante que se saiba sobre os efeitos da hiperatividade no diagnóstico e no tratamento do autismo. Além disso, vale dizer que a presença desse traço, ou seja, da inquietude excessiva de uma criança que conviva com autismo, faz com que haja grandes prejuízos no processo de observação e avaliação da criança com um possível autismo.

Isso acontece porque a criança inquieta e agitada passa a ter muito menos capacidade de interação social, capacidade de contato visual, entre outros. Muitas vezes, o pequeno não fica mais comportado nem mesmo para fazer determinadas atividades específicas, em que os especialistas costumam acompanhar para detectar se a criança tem o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou TEA. É importante salientar que a hiperatividade atrasa o diagnóstico de autismo.

A importância de um diagnóstico preciso

Na literatura médica existem artigos comprovando que a presença da hiperatividade no autismo faz com que o diagnóstico supere os seis anos de vida da criança. Isso é ruim, pois quanto mais precoce, mais fácil tratar. Uma criança hiperativa com TEA pode passar os seus 4 ou 5 anos de vida sendo diagnosticada como TDAH e não com autismo. A maioria dos médicos pode acabar fazendo um diagnóstico direcionado para TDAH, deixando o TEA para o segundo plano.

A recomendação é que toda criança hiperativa com dificuldade de socialização e sintomas opositores passe pelo acompanhamento com especialistas a fim que se investigue a possibilidade do autismo.

Outro detalhe importante é que a hiperatividade no autismo pode atrapalhar as intervenções tanto da terapia comportamental, do ABA; da terapia de fonoaudiologia, da terapia ocupacional, da musicoterapia, etc.; enfim, todos os tratamentos em que o pequeno estiver participando. Vale ressaltar que a criança vai prestar menos atenção e vai se engajar menos do que a terapia se propõe, prejudicando a longo prazo a resposta e os resultados.

O que acontece na escola?

Uma dificuldade a ser lembrada é quando a criança com autismo vai para a escola. Um aluno que conviva com autismo e hiperatividade vai ter menos capacidade de memorização, menor engajamento social nas regras e rotinas da escola, mais dificuldade em lidar com situações em que ela vai ter que se submeter à imposição do grupo. Uma das consequências é o fato de que essa criança dê muito mais trabalho e gasto energético para seus cuidadores ou professores que estejam conduzindo as atividades pedagógicas na escola.

Sendo assim, a hiperatividade no autismo é algo que necessita de um acompanhamento com especialistas multidisciplinares. Isso é essencial para que, juntos, essa equipe diversificada de profissionais estabeleça as intervenções mais adequadas aos casos de cada um dos pacientes.

Dr Clay Brites

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