Escalas e processos de avaliação no Autismo

As escalas de avaliação no autismo são essenciais para identificar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em tempo hábil. Elas atuam, na verdade, como instrumento de triagem capaz de auxiliar na detecção de comportamentos atípicos, colaborando no diagnóstico de sintomas a partir do 18º mês.

O que essas escalas fazem?

Usado por pais, professores e profissionais para esses fins, essas escalas auxiliam no diagnóstico precoce do TEA. Tais instrumentos buscam ativamente os sinais e os sintomas. Importante relembrar que o autismo é um grave transtorno de desenvolvimento e que causa impacto nas habilidades sociais e comunicativas das crianças.

Rastrear sistematicamente seus sintomas são uma das condutas mais importantes. A criação de escalas de avaliação no autismo tem se mostrado cada vez mais indispensável. Elas foram extensamente desenvolvidas nos últimos 20 anos, baseadas em estudos clínicos sólidos. Essas escalas foram submetidas a metodologias científicas e lastro estatísticos que fazem desses instrumentos um meio muito seguro para identificar esses sinais em qualquer população.

Conhecendo algumas escalas de avaliação no autismo

O que é MCHAT?

O MCHAT (Modified Checklist Autism in Toddlers) é uma escala de rastreio a partir da população geral. Essa ferramenta permite levantar um determinado risco elevado de autismo a partir da observação de uma criança, em um ambiente composto por outras pessoas da mesma faixa etária, por exemplo.

Essa escala é composta por 23 itens criados a partir de evidências de sintomas de autismo e de outros sinais comuns que aparecem com o TEA, geralmente vistos durante anos de experiências e de condução no trato desses possíveis pacientes. Dentre tais itens, 17 não são específicas de TEA, mas tem algo relacionado com o autismo. Por outro lado, existem 6 itens que representam sinais específicos de TEA.

Vale ressaltar que essa observação é muito importante, pois permite que as perguntas sejam feitas sem induzir o diagnóstico, pois elas se encontram embaralhadas na sequência do questionário.

Observa-se a criança suspeita dentro de uma amostra composta por outras pessoas de idade semelhante. Logo depois, aplica-se as perguntas baseadas nos itens de 1 a 23, incluindo seis itens mais importantes, são eles: 2,7,9,13,14,15. Pergunta-se sim ou não para cada item. Eis os critérios: se a criança for não para dois itens dos mais importantes ou não para qualquer dos 23, essa criança demonstra risco para o TEA e deve ser encaminhada uma investigação especializada.

– ADOS-2 e ADI-R são a mesma coisa?

Não. o ADOS-2 e o ADI-R costumam ser bem definidos para que o diagnóstico de autismo seja fechado com eficiência. O ADI-R é uma escala de entrevista. O ADOS-2 por sua vez é uma escala de observação. Vale dizer que elas são complexas, amplas e contêm muitas divisões, além de itens bem específicos para seu uso.

Esses dois instrumentos servem como ponto de partida para observar a evolução da criança a partir do diagnóstico de autismo. Funciona da seguinte forma: se as escalas mostram certo grau de autismo ou prejuízos em alguns scores em ambas; com o passar dos tempos e com as intervenções, repete-se a aplicação das escalas para ver se a criança está definitivamente melhorando ou se algo a mais precisa ser feito.

As escalas ADOS-2 e ADI-R são importantes também para mostrar se o pequeno está demonstrando uma melhora significativa em um eixo de comportamento em detrimento de outro. É imprescindível dizer que isso dá uma confiabilidade maior para a equipe que está tratando do autismo da criança, além de dar segurança aos pais, sobretudo para que eles possam ver a eficácia dessas escalas na aplicação em seus filhos.

 

Dr Clay Brites

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