Estereotipia Motora: como lidar com o comportamento repetitivo em criança com autismo?

Quem convive com uma criança, jovem ou adulto com autismo já deve ter notado que muitos deles apresentam características bem peculiares. O comportamento repetitivo ou a estereotipia chega a ser algo marcante na vida de pessoas que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, é preciso rever alguns conceitos e ver que essa estereotipia motora não pode ser vista como um traço peculiar da personalidade do paciente com o TEA. A melhor saída é o tratamento.

Porém, antes de falarmos o que pode ser feito para que vocês lidem com o comportamento repetitivo das crianças com autismo, é interessante colocar aqui algumas informações a respeito do TEA. Sintomas, desafios e alternativas para proporcionar à pessoa com autismo melhores condições são urgentes na vida de todos que estão envolvidos com isso.

O que é a estereotipia?

Estereotipia é um modo repetitivo de agir, de falar, de se comportar em determinados contextos e manipular objetos do ambiente sem levar algum significado funcional ou social; e sem qualquer intenção de se comunicar com seus pares (amigos, familiares, pais, etc.). A estereotipia é um sinal clínico muito comum no TEA.

Vale lembrar que a estereotipia atrapalha o desenvolvimento social e comunicativo que tanto queremos abordar nessas crianças. A insistência em fazer ou repetir algo por diversas vezes provoca um afastamento do paciente da realidade do contexto, faz com que ele fuja do diálogo e que acabe desistindo de iniciar e dar continuidade a uma tarefa do cotidiano ou da escola, por exemplo.

Isso fragmenta a rotina, prejudica a alimentação e o sono. As estereotipias levam a faltas escolares, a fracassos de aprendizagens e reduz o desempenho do pequeno nas intervenções tanto médicas quanto não médicas.

Toda estereotipia é igual?

Não, existem vários tipos. A estereotipia pode ser motora, da fala; mexer com objetos, rituais de movimento, apertar partes do corpo, automutilação; há também os tipos que perseveram rotinas individuais nas crianças (como determinadas manias, compulsões, formas de agir sempre de forma previsível, independente do lugar, do contexto e dos momentos afetivos).

Qual o efeito das estereotipias nas crianças e nos familiares?

Essa situação causa reações como um grande quadro de ansiedade, estresse e sofrimento em todos. Isso acontece porque esses movimentos repetitivos podem restringir os pequenos de alguma atividade social, relegando não somente eles próprios, mas também seus parentes a certo isolamento de determinadas situações, como festas, encontros e outros eventos.

Alguns traços da estereotipia motora

– Balanço de membros como braços, mãos e pernas;

– Flappings (quando a criança fica abanando as mãos);

– Cutucar alguma parte do corpo, como as orelhas ou nariz;

– Outros.

O que pode ser feito no caso da estereotipia motora?

Em se tratando da estereotipia motora (e outras, inclusive) a melhor alternativa é a aprendizagem de novos padrões de comportamento. Mas podem ficar tranquilos, pois tudo isso é devidamente orientado sob uma ciência que tem se mostrado cada vez mais eficaz e eficiente na vida de crianças com TEA.

– ABA

Vocês, que acompanham nossos conteúdos, já devem ter lido a respeito da ABA, correto? Pois é justamente a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) que pode representar um passo positivo na redução desses traços tão incômodos para a criança e sua família.

Vale recapitular que a ABA se constitui como uma área de investigação e aplicação dinâmica, cuja evolução ocorre na medida em que novos princípios comportamentais são descobertos por meio de pesquisas científicas da Análise do Comportamento.

A ABA procura influir na aprendizagem do paciente, não somente aquela que está ligada ao saber pedagógico, mas também em habilidades que estão presentes na vida dos pequenos, tais como a comunicação e a forma de lidar com o mundo que está à sua volta. A ABA tem a intenção de amenizar condutas antissociais e valorizar aquelas que contribuirão para o convívio do paciente com outras pessoas.

– Medicação

O uso de medicação é feito tanto para reduzir os sintomas principais do TEA quanto para auxiliar na redução de suas hipersensibilidades auditivas ou táteis e que podem induzir a determinadas estereotipias.

– Redução de fatores que causam as estereotipias

Muitas vezes, o comportamento repetitivo no autismo pode ser resultado de um incômodo causado por algum barulho, mudanças súbitas de rotina, dores pelo corpo e problemas de sono. É importante lembrar que esses fatores (ligados intrinsecamente com as hipersensibilidades) podem intensificar as estereotipias motoras nas crianças.

Além disso, outros motivos médicos podem influenciar no aumento dessas estereotipias, como alergias, infecções ou intolerância alimentar (se a criança tem prisão de ventre, resistência a determinado cheiro, etc.). Por isso é importante estar atento a essas observações.

O que pode ser feito em casa?

Os pais podem seguir alguns procedimentos que tendem a surtir um efeito esperado, a saber:

– Usar brinquedos que a criança gosta. Nesse caso, vocês tentam estabelecer um acordo com o pequeno, ou seja, a cada comportamento correto, conduta desejada, o tempo de brincadeira com o objeto preferido aumenta. Isso funciona como uma recompensa, por exemplo. Além de estabelecer momentos programados na vida do baixinho;

– Aumentar progressivamente o tempo de exposição da criança em atividades que ele mais gosta, aproveitando esses momentos para incluir pequenos conteúdos, fazendo com que a disposição do pequeno frente às estereotipias diminua.

Importante saber

Nem toda criança com TEA tem as mesmas estereotipias e os mesmos fatores hiperestressantes que desencadeiam esses comportamentos repetitivos. Por isso é importante reduzir estímulos indesejáveis no ambiente para o pequeno com autismo.

Portanto, é extremamente importante que haja uma avaliação efetiva por parte dos profissionais nos casos de TEA. Os especialistas podem direcionar de maneira satisfatória as melhores intervenções na vida dos pequenos e, assim, proporcionar desenvolvimentos no dia a dia do paciente e de toda a família.

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  • Aprender a usar as Estratégias de Ensino para trabalhar tanto em casa quanto na escola;
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Dr Clay Brites

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