Estratégias para aumentar a autonomia da criança com autismo

 

Todos os dias recebemos relatos de pais e mães trazendo a preocupação acerca dos riscos que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ocasionar na independência de suas crianças. A apreensão não é infundada, tendo em vista que a condição pode impactar esse aspecto.

A autonomia no autismo é algo que precisa ser olhado com muita atenção, pois ela só pode ser possibilitada por meio de intervenções adequadas e que garantam o bem-estar da criança. No entanto, devemos salientar algumas atitudes que fazem toda diferença na hora de lidar com o diagnóstico.

Precocidade para o diagnóstico: um passo importante

Não existe outro caminho, o diagnóstico precoce é sempre ideal para que pais possam contar com a ajuda profissional o mais rápido possível. Logo no início, os especialistas observam cada aspecto para que a partir disso sejam identificados os principais sintomas e quais os impactos causados no aspecto comportamental.

Características que precisam de atenção

Embora muitos pais e mães de primeira viagem possam ficar perdidos em meio a algum sinal que seja desconhecido para eles até então, é possível adiantar algumas características que demonstram a possibilidade da existência do TEA. Vejam quais são elas:

– A criança não desenvolve a linguagem verbal comum à sua faixa etária;

– Interação social inexistente;

– O bebê não atende quando é chamada pelo nome;

– Não há contato visual por parte do pequeno, mesmo com sua mãe;

– O bebê costuma mostrar interesse a um objeto específico;

– Outros

Vale ressaltar que existem outros sintomas, mas os mencionados acima são aqueles presenciados com mais frequência ainda nos primeiros anos. Caso a criança demonstre um desses sinais de maneira isolada, os adultos não devem descartar a consulta com o pediatra para relatar o dia a dia do pequeno.

Quais são as estratégias para aumentar a autonomia no autismo?

– Modelos de Intervenção Comportamental

Uma estratégia excelente para estimular a autonomia no autismo são os modelos de intervenção comportamental. Eles são essenciais e têm a vantagem de trabalhar o contingenciamento e o reforço positivo, analisando a influência e os fatores do ambiente no aspecto reacional da criança a fim de que se obtenha o controle externo; e que isso leve à mudança positiva de comportamentos, que antes eram considerados insuportáveis ou desconectados da realidade.

A ABA (Applied Behaviour Analysis) e o PRT (Pivotal Response Treatment) são exemplos de modelos comportamentais que permitem, de forma completamente sistemática e formal, a remodelação de ações de pessoas com TEA, direcionando-as para a busca progressiva de sua autonomia.

– ABA (Análise do Comportamento Aplicada)

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que estuda o comportamento humano socialmente relevante. Atualmente, essa abordagem é extremamente eficaz para crianças com atraso no desenvolvimento, como ocorre no TEA.
Com a utilização de terapias incluídas na ABA, alguns sintomas presentes na vida da criança tendem a diminuir de maneira considerável, tais como as estereotipias, os comportamentos disruptivos e as birras; os interesses restritos e os rituais.

– PRT (Treinamento de Respostas Pivô

O Treinamento de Respostas Pivô (PRT – Pivotal Response Treatment) é considerado por muitos como uma ramificação da Análise do Comportamento Aplicada. O PRT, como modelo comportamental, utiliza a motivação da criança que vive com autismo para ensiná-la novas habilidades para situações novas ao seu contexto.

A premissa do PRT é que a criança com autismo, quando se encontra exposta a determinadas situações, sem a existência de tanta formalidade, consegue ter uma aprendizagem mais satisfatória e de maneira mais natural. Lembrando que isso depende do grau de autismo apresentado pela criança.

Conversem com o médico de seu filho e vejam qual a melhor maneira de estimular a autonomia do pequeno.

 

Dr Clay Brites

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