Existem diferentes tipos de autismo?

Desde a nova classificação acerca do Autismo dentro dos critérios de diagnósticos relacionados a esta condição trazidos pelo DSM-5, todos os diferentes tipos de Autismo descritos no DSM-IV passaram a ser incluídos, todos, sob o imenso guarda-chuva dos chamados Transtornos do Espectro Autista (ou TEA). As diferenças que antes eram denominadas e assumiam caráter bem delimitado, hoje somente se distinguem pela presença ou ausência de algum traço clínico peculiar ou pela intensidade dos sintomas.

Esta nova concepção trouxe maior sensibilidade para a suspeição do diagnóstico, aumentando a possibilidade de identificação precoce e permitindo iniciativas de remediações de atrasos percebidos no desenvolvimento da criança. Por outro lado, esta nova classificação deu uma “roupagem” nova para as formas de identificação do transtorno e uma impressão de homogeneidade aos TEA. Mas sabemos que o Autismo é um distúrbio extremamente heterogêneo e bem peculiar de criança para criança.

Existem crianças com Autismo que não falam, ora apresentam distúrbios de hipersensibilidade, outros não. Há os hiperativos, agressivos e opositivos. Outros, hipoativos, passivos, extremamente introspectivos. Alguns dormem bem enquanto a maioria não dorme absolutamente nada. A associação com alergias alimentares, respiratórias, com ou sem intolerâncias nutricionais específicas se apresentam de forma totalmente imprevisível e variável dependendo do tempo e da magnitude desta comorbidade. No que tange a aprendizagem escolar, temos amplas e infinitas possibilidades: hiperlexia em alguns, transtornos de aprendizagem em outros, deficiência intelectual na grande parte daqueles autistas que podem jamais virem a ler ou escrever.

Os diferentes tipos, portanto, se resumem a esta extrema variabilidade de apresentação clínica e comportamental. Esta expressividade tão complexa exige de todos que avaliam esta criança um olhar interdisciplinar e que tenha como eixo principal a busca de uma atenção baseada em ações individualizadas, mediante o respeito às características de cada um. As descrições detalhadas de cada ponto negativo e positivo e de formas de correção de rumo ou de mediação de acordo com os déficits que precisam ser remediados formam a base da intervenção no TEA. Conhecer estas nuances e estar preparado para recrutar todos os meios exigidos para equilibrar a dificuldade da criança às formas de compensação é fundamental. Não à toa, as melhores formas de intervir residem em modelos que priorizam a precocidade e a co-participação de profissionais, família e escolas.

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