O que é a Síndrome de Kanner?

 

Todos nós sabemos que o autismo apresenta diferentes níveis de espectros. Isso faz jus à forma a qual os médicos e demais especialistas se referem a essa condição: Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quem acompanha nossos artigos já deve ter visto que realmente há uma variação quanto aos sintomas e o grau cujo cada paciente pode demonstrar. A Síndrome de Kanner é considerada por muitos pesquisadores como autismo clássico; e também como a forma mais severa do TEA.

Sobre a descoberta da Síndrome de Kanner

A literatura da área é assertiva ao atribuir a primeira descrição desse quadro ao cientista e psiquiatra austríaco Leo Kanner, em 1943. Kanner realizou um estudo onde ele ficou responsável pela observação e acompanhamento de uma amostra composta por onze crianças (oito meninos e três meninas). A pesquisa ocorreu no Serviço de Psiquiatria Infantil do Hospital John Hopkins, na cidade Baltimore, Estados Unidos.

Por meio dessa análise, o estudioso percebeu que os participantes apresentavam comportamentos incomuns, tal como o isolamento severo em relação ao mundo exterior. Os pais das crianças relatavam essa característica e afirmavam que isso podia ser notado precocemente.

Partindo da observação, Kanner estabeleceu um estudo onde se perguntava até que ponto o tipo de relação precoce entre os familiares e as crianças poderia influenciar e aprofundar os distúrbios mostrados. Diante disso, o pesquisador constatou que esse grupo observado não demonstrava habilidades sociais, como o contato afetivo com seus interlocutores, incluindo seus próprios pais.

Além disso, outros sintomas foram percebidos por Kanner, como distúrbios intelectuais, alimentares, psicomotores, da linguagem e do comportamento. Com base em seus experimentos, o psiquiatra atribuiu esse conjunto de características ao que ele convencionou chamar de Distúrbios Autísticos. Pouco tempo depois, Kanner descreveria essa condição de Autismo Infantil Precoce.

Características da Síndrome de Kanner

Profissionais e especialistas referem-se à Síndrome de Kanner como autismo de baixo funcionamento em função da falta de capacidade dos pacientes em se relacionar e se comunicar com as pessoas à sua volta.

É importante salientar que existem déficits em três áreas essenciais do aspecto funcional do indivíduo, a saber: incapacidade de se relacionar com outras pessoas (como mencionado acima), rigidez mental e comportamental; e comportamentos estereotipados. Vale ressaltar que dentro do primeiro item, a criança não estabelece qualquer forma de comunicação e linguagem. Diferente de outros graus de autismo apresentados.

Dentre os principais sintomas, podemos destacar uma determinada fixação do paciente aos padrões de estereótipos, apego irredutível a rotinas, maneirismos motores, preocupação exagerada e persistente por certos objetos. Ressaltando que tais sinais estão dentro do grupo dos padrões de comportamento. Por conta das características citadas, é imprescindível que os pais levem seus filhos para um acompanhamento médico tão logo os primeiros sinais começarem a se manifestar.

Quais os critérios utilizados para se considerar a Síndrome de Kanner?

Alguns critérios são utilizados pelos médicos acerca da Síndrome de Kanner, a saber: múltiplos comportamentos não-verbais, falta de reciprocidade social e emocional, incapacidade para desenvolver relações com companheiros e pouca ou nenhuma tendência em compartilhar objetos. Tudo isso interligado ao eixo ‘alteração de relações interpessoais’.

A importância de um acompanhamento médico

O fato da Síndrome de Kanner estar presente nos graus mais severos do autismo exige que a observação dos adultos responsáveis pela criança seja feita com total precisão a fim de que o profissional seja informado.

Esse contato vai ser determinante para a aplicação de intervenções que visarão à busca pelo desenvolvimento do pequeno. É verdade que não são todos os casos em que a criança ou jovem conseguem desempenhar habilidades funcionais, mas os especialistas detêm as técnicas necessárias para trabalhar o tratamento do paciente em questão.

 

Dr Clay Brites

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *