O uso de comunicação alternativa com autistas é válido?

Quando se fala em autismo, abre-se uma janela de possibilidades. As situações dentro do Transtorno de Espectro Autista são as das mais variadas e as pessoas que se incluem nesse grupo apresentam características distintas, embora alguns traços se assemelhem. Um deles é a comunicação.

Vocês provavelmente já puderam perceber que muitos autistas encontram dificuldades para se expressar através da fala. Isso não significa, necessariamente, que eles não consigam desenvolver a habilidade de falar. Porém, aqueles que tentam usá-la não alcançam o que chamamos de comunicação funcional, que é a forma mais efetiva de estabelecer contato. O autista que consegue falar nem sempre chega ao objetivo e pode utilizar as palavras de maneira despropositada.

Para conseguir resolver esse e outros dilemas, inclusive daquelas crianças e adolescentes com autismo que não falam, muitos profissionais trabalham a comunicação alternativa. Eis uma grande saída para se desenvolver esse déficit apresentado nos casos dos autistas.

A importância de se fazer compreendido

É sempre válido relembrar que a criança com autismo não demonstra muita facilidade com a fala porque ela simplesmente não vê a função no ato de se comunicar, tal como utilizamos. Portanto, é importante que comecemos nosso trabalho de estimular a comunicação alternativa de maneira gradativa e com o uso de imagens.

A utilização dessas figuras pode ser desenvolvida com desenhos que tenham relevância no dia a dia do pequeno. Há estudiosos da área que ensinaram o conhecido método comunicação por pistas visuais (PECS – Picture Exchange Communication System), que consiste em estimular o contato da criança de forma mais efetiva. O resultado obtido a partir dessa experiência foi excelente: os autistas passaram a desenvolver a fala de maneira funcional, reduziram os comportamentos inadequados, cooperação com o interlocutor, entre outros.

A utilização do PECS é feita através de imagens universais, que simulam o cotidiano de uma criança. O problema, contudo, é que toda generalização pode ser perigosa, considerando que cada pessoa tem uma vida diferente. As figuras que compõem o PECS nem sempre fazem parte do cotidiano do autista em determinado lugar.

O segredo é a adaptação

Para uma comunicação alternativa feita com o uso de imagens, a melhor opção é a adaptação de figuras com o que está presente na vida criança. Desta maneira, o pequeno terá a chance de iniciar o processo em questão.

Como fazer?

O que pais e profissionais devem respeitar é o tempo da criança. Isso significa que todo esse exercício deve ser feito no passo a passo.

Apresente as imagens daquilo que está no cotidiano do pequeno. A próxima etapa consiste em repetir o nome da figura escolhida e pedir que a criança repita. Como pode ser notado, é trabalho de formiguinha e que exige total paciência e compreensão que o autista tem o seu próprio tempo.

À medida que a criança for mostrando resultados, a quantidade de imagens pode aumentar. O aconselhável é que pais utilizem livros que tragam o aspecto lúdico ou então o tablet, que tem uma condição muito melhor de arquivamento de imagens.

A comunicação alternativa tem precedentes de que é uma ótima solução para crianças autistas que apresentam dificuldades na fala. O detalhe é saber respeitar as necessidades e as etapas apresentadas pelos pequenos.

 

 

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